Se você acompanha as notícias sobre saúde e bem-estar, certamente notou que os anos de 2023 e 2024 foram marcados pela popularização do Ozempic (semaglutida). Em seguida, 2025 trouxe o destaque para o Mounjaro (tirzepatida). Mas a ciência não para, e a pergunta que recebo frequentemente no consultório é: o que segue? O que podemos esperar para 2026 e além no tratamento da obesidade?
A resposta é animadora. Estamos prestes a entrar em uma fase ainda mais revolucionária. Não estamos falando apenas de medicamentos mais potentes, mas de opções que oferecem maior comodidade, menor custo potencial e até benefícios extras, como o ganho de massa muscular.
Neste artigo, vamos explorar as cinco principais inovações farmacológicas que estão no horizonte e que prometem transformar a forma como tratamos o sobrepeso e a obesidade nos próximos anos.
Retatrutida: Potência comparável à bariátrica
Talvez a droga mais aguardada e comentada seja a Retatrutida. Seus estudos de fase 2 já demonstravam um potencial enorme, e os resultados iniciais do programa de fase 3 (Programa Triumph) confirmaram essas expectativas.
A Retatrutida tem se mostrado extremamente promissora, apresentando uma redução de peso corporal superior a 28%. Para colocar isso em perspectiva, esse nível de emagrecimento é comparável ao resultado de uma cirurgia bariátrica, mas alcançado através de medicação.
Além da perda de peso expressiva, os estudos indicam benefícios secundários importantes:
- Melhora na artrite de joelho: Pacientes obesos com dores articulares apresentaram melhora significativa.
- Redução da gordura no fígado: Novos dados sugerem eficácia no combate à esteatose hepática.
Essa molécula se consolida como a grande aposta para quem busca resultados drásticos e eficazes, elevando a barra do que consideramos possível com tratamento medicamentoso.
Orforgliprona: A revolução do comprimido oral
Enquanto a Retatrutida foca na potência máxima, a Orforgliprona brilha pela acessibilidade e facilidade de uso. Este talvez seja o medicamento com maior potencial para mudar o mercado de massa.
Atualmente, medicamentos orais para emagrecer, como o Rybelsus (semaglutida oral), são peptídeos. O problema é que nosso estômago destrói peptídeos, o que exige uma tecnologia complexa para garantir que pelo menos 1% da droga seja absorvida. Isso obriga o paciente a tomar o remédio em jejum absoluto, com pouca água, e encarece muito o produto final devido às altas doses necessárias.
A Orforgliprona é diferente. Ela é um incretinomimético não peptídico.
Isso significa que:
- Ela não é destruída facilmente pelo estômago, garantindo melhor absorção.
- Sua síntese química é mais simples e escalável.
- O custo final para o consumidor tende a ser menor do que os injetáveis ou orais atuais.
Os estudos mostram uma redução de peso considerável. Embora não chegue aos níveis da Retatrutida, a Orforgliprona oferece uma alternativa eficaz, oral e potencialmente mais barata, democratizando o acesso ao tratamento.
Cafraglutida: Uma injeção por mês
A adesão ao tratamento é um dos maiores desafios em doenças crônicas como a obesidade. Esquecer de tomar o remédio ou cansar das picadas semanais é comum. É aqui que entra a Maridebart Cafraglutida, desenvolvida pela AMGEN.
A grande inovação desta droga não é necessariamente uma potência superior ao Mounjaro, mas sim a sua posologia: ela é de uso mensal.
Ao contrário das opções atuais que exigem aplicações semanais ou diárias, a Cafraglutida permite que o paciente faça uma única aplicação e fique “coberto” pelo medicamento durante o mês todo. Os estudos iniciais mostram uma redução de peso semelhante ao Wegovy, mas com essa vantagem logística que pode ser decisiva para muitos pacientes que buscam praticidade.
CagriSema: A resposta da Novo Nordisk
Com o sucesso do Mounjaro da concorrente Lilly, a Novo Nordisk (fabricante do Ozempic) desenvolveu a CagriSema. Esta medicação combina, na mesma caneta aplicadora, duas substâncias:
- Semaglutida (a mesma do Ozempic).
- Cagrilintida (um análogo da amilina).
A ideia é criar uma sinergia. Enquanto a semaglutida atua em uma via, a cagrilintida potencializa a saciedade e reduz o esvaziamento gástrico por outra via. O estudo “Redefine” mostrou uma perda de peso próxima a 20%.
Embora seja um resultado excelente, ele chega para competir em um mercado onde já existem opções com eficácia similar ou superior. Acredita-se que o posicionamento da CagriSema será focado no paciente diabético obeso, grupo onde ela pode oferecer benefícios metabólicos superiores.
Bimagrumabe: Perder gordura e ganhar músculos?
Por fim, temos talvez a proposta mais disruptiva: o Bimagrumabe. Diferente das outras drogas citadas, este é um anticorpo monoclonal (identificado pelo sufixo “mab”) que atua bloqueando a activina tipo 2.
O mecanismo de ação é fascinante: o objetivo é impedir a perda de massa magra durante o emagrecimento. Nos estudos de fase 2, houve registros até de ganho de massa muscular concomitante à perda de gordura. Isso seria o “santo graal” do emagrecimento saudável, pois a perda de músculos é um efeito colateral indesejado de quase todas as dietas e tratamentos atuais.
Um ponto de atenção: Recentemente, alguns braços de estudo do Bimagrumabe focados em pacientes diabéticos foram suspensos por “decisões estratégicas” da fabricante. Embora os estudos para obesidade pura continuem, essa suspensão gera cautela na comunidade médica. Ainda assim, é uma molécula para ficarmos de olho, pois propõe uma mudança de paradigma na composição corporal.
O veredito para o futuro próximo
O cenário para 2026 é de diversificação. Não teremos apenas “um remédio melhor”, mas sim ferramentas diferentes para perfis de pacientes diferentes:
- Busca potência máxima? Retatrutida.
- Quer fugir das agulhas e economizar? Orforgliprona.
- Tem dificuldade com a rotina semanal? Cafraglutida (mensal).
- Precisa controlar diabetes severa com obesidade? CagriSema.
- Preocupado com a perda muscular? Bimagrumabe (com ressalvas).
A medicina está avançando para tratamentos cada vez mais personalizados. O importante é entender que a obesidade é uma doença crônica e complexa, e o acompanhamento médico especializado é fundamental para escolher a melhor estratégia para o seu caso.
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